quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será acrescentado (Mt 6,24-34)

Este ensinamento de Jesus que nos é apresentado no evangelho de Mateus, em um primeiro momento se analisado de forma superficial, não nos revela toda sua profundidade e magnitude. Afinal, como tudo me será acrescentado? Por milagre? Como as coisas acontecerão em minha vida? Lógico que por esta análise este ensinamento não nos causa impacto. Mas, liberte-se por um instante das suas opiniões pré-concebidas e do seu conhecimento e veja sob uma ótica um pouco mais aprofundada, a ótica da fé e da criação.

O que Jesus nos apresenta neste ensinamento é algo muito maior e muito mais profundo do que nossa análise superficial possa compreender. Em rápidas palavras Cristo nos diz: “à medida que você evolui no seu crescimento espiritual e busca o reino de Deus, as portas em sua vida começam a se abrir, as necessidades começam a ser atendidas e as dificuldades são vencidas”. Mas, como assim? Por Milagre?

Milagre é uma palavra de sentido pronto. O milagre reflete uma consequência de algo que já aconteceu, de uma decisão anterior que já foi tomada em campos não somente terrenos. O milagre é o fruto de um SIM anterior ou a escolha por um caminho além daquele convencional percorrido até o momento da cura ou mudança. Esta “mudança” é fruto de uma intervenção que transcende os meros acontecimentos e conhecimentos do nosso dia-a-dia. Não se pode desacreditar o milagre sem antes conhecer os limites do homem, da sua mente e espírito, os campos da ciência e da matéria que estão nos conduzindo ao Divino. Como podemos desqualificar então, a consequência (milagre), sem esgotar primeiro o conhecimento total da (s) origem (capacidade humana, universo quântico e divino)?

Então, milagres existem? É uma pergunta a ser respondida com outro questionamento. Porque não? Atualmente há inúmeros casos por exemplo de curas de doenças não totalmente ou mesmo parcialmente explicados pela medicina, mas acreditar nisso depende também de um aceite, um sim. O sim é poderoso pois é o sinal afirmativo enviado inicialmente á mente e representa a mudança de um estado para outro. Acreditar ou não em milagres é optativo sim, mas lembre-se de uma famosa frase “muitas coisas existem independente se você acredita nelas ou não”

Sem precisarmos chegar ao milagre da “chuva de pães” no deserto que Deus proporcionou ao povo Israelita, é possível dizer que a evolução espiritual do ser humano é capaz de realizar pequenos e grandes milagres, pois à medida que o Ser evolui, ele pode transcender e vencer seus próprios obstáculos e paradigmas. Há um detalhe importante nesta caminhada, ou o ser humano evolui e deixa-se dominar pelo Ego que ditará as normas do “eu quero isso e aquilo” ou o ser humano evolui além do Ego e busca um algo a mais, uma nova visão do todo.

A evolução espiritual é livre, assim como também é livre o ponto de parada ou onde o ser humano decide ficar, em qual estágio. Há seres humanos em estado de letargia, despertos, em êxtase, conscientes, em processo de entrega ou em contemplação.

Para aqueles que decidem ir além do consumismo puro e explícito, há um algo mais esperando, que aqui podemos chamar do Reino de Deus. Isso não é utópico, isso não é somente filosófico, isso é Divino. Se decidirmos permanecer no estágio do Ego consumista, o que veremos à frente são resposta prontas, conhecimento limitado, muita sabedoria fabricada e muito ateísmo, mas se decidirmos dar um passo à frente no conhecimento Divino, vamos encontrar muitas perguntas, pouquíssimas respostas e um conhecimento infinito e inexplicado. A partir desse ponto nosso conhecimento humano é destruído e alguns nuances do conhecimento divino nos são revelados. O que antes era apenas figurado, pode passar a ser literal, tomando como exemplo o termo utilizado em livros de espiritualidade ao denominar o homem de “guerreiros da luz”. Esse mesmo termo pode ser hoje interpretado em sua totalidade ao imaginarmos por exemplo a constituição de todas as coisas no mundo e no universo, constituição agora provada pela física, ou seja, a base da matéria, de tudo o que vemos e temos a nossa frente, o próprio ser humano em sua íntima constituição é pura energia, é luz!

Esta verdade não é sustentada meramente por livros ligados a conceitos religiosos, mas ela está sendo provada a cada dia por experimentos e intervenções científicas que estão refazendo a antiga pergunta “de onde viemos?” para um novo questionamento “De onde vem todas as coisas, inclusive a vida?” E isso é fantástico.

Então, quando se “ busca o Reino de Deus”, não é apenas uma filosofia de vida, é algo muito maior que foge à compreensão humana ou ao ser humano adormecido. É difícil para o homem sair de seu plano normal de existência e compreender por exemplo todas as potencialidades ligadas ao poder do espírito e mente sobre o corpo. Cada dia mais, vemos livros e trabalhos sendo publicados sobre este assunto em campos da espiritualidade, neurociência e a própria física redesenhando o conhecimento humano à cerca da matéria e o universo quântico.

A busca pelo Reino de Deus ou a decisão por ousar percorrer este caminho, leva-nos a uma revolução interior maior do que se possa avaliar. Esta revolução é que irá abrir portas, alimentando os sentidos, libertando-nos dos vícios, controlando nossos ímpetos, abrindo nossa cegueira, modificando nossos paradigmas, redesenhando nosso DNA, alterando nossa percepção.

É importante considerar no entanto, que este caminho maior deve ser trilhado sob a liderança não do Ego primitivo, mas sim, pelo Eu consciente. E isso muda muito a forma de ver as coisas e todo o caminho a ser percorrido, pois enquanto o Ego primitivo busca a satisfação de prazeres limitados, o Eu consciente de sua busca, vai percorrer o caminho que leva adiante (consciente de sua busca neste caso quer dizer, a busca pela evolução espiritual).

E aí nos vemos algo interessante acontecer, mesmo que você queira instintivamente elevar sua mente e espírito para propósitos terrenos, à medida que você realmente se eleva em graça e de coração aberto, você avança também outros patamares de auto-conhecimento e espiritualidade, isso quer dizer simplesmente que o homem ao buscar a verdade e o conhecimento do Divino, baseado no seu aprendizado de vida, descobrirá outra forma de felicidade (paz) que pode ou não estar fundamentada ou ligada ao seu conhecimento adquirido e isso pode destruir grande parte do que antes se tinha como conceito de felicidade. É como ser reconstruído. É simples assim, o homem terreno muitas vezes se prende apenas a coisas terrenas, sua felicidade é terrena. O homem espiritual compreende a importância das coisas terrenas mas se volta todo dia às coisas espirituais e busca a felicidade espiritual. Em muitos casos porém, há um ponto de ruptura mais abrupta entre o homem terreno e o homem em elevado estado de espírito, a isso vamos chamar de estado de santidade plena. Nossa maior prova disso é o extremismo de São Francisco de Assis, que conheceu a verdadeira paz de Cristo ainda em vida. São Francisco é um caso raro, exemplo difícil de ser seguido, pois nós flutuamos como homens terrenos em busca de elevação espiritual. Um dia somos um pouco mais disso, outro dia, um pouco mais daquilo. É a velha história “dentro de mim existem dois lobos, um bom e um mau, vencerá aquele que eu alimentar melhor”.

É difícil a divisão completa entre as coisas do céu e da terra para o homem comum, mas é importante saber onde está a origem da verdadeira paz e felicidade, pois sabendo disso o Ego aprende a perder hoje, a sofrer hoje, para ganhar ou vencer ali na frente, sem desespero, sem inquietação, mas com sabedoria. Melhor seria o Ego aprender que não há perda ou ganho, mas sim formas diferentes de seguir um mesmo caminho, baseado nas escolhas feitas ao longo da vida, que a todo momento é possível refazer o trajeto e que muitas vezes a dor (seja física ou espiritual) também é uma oportunidade de buscar o divino, por um simples detalhe, o Ego primitivo (ID) não suporta dor, ele quer prazer e satisfação, soluções rápidas. Na dor, você verá, lhe restará Deus, pelo simples fato de que as respostas do Ego estão ao seu alcance, prontas e fáceis, quando ele não tem estas respostas se desconstrói e te abandona e você vê obrigado a procurar abrigo em outros lugares, muitas vezes pouco visitados.

“Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será acrescentado”, isso não é uma utopia, é uma verdade a ser compreendida. Ela pertencerá e poderá ser sentida àquele que se propuser seguir um caminho além dos próprios olhos (além das coisas físicas da terra)





quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O ser humano não tem culpa total pela escuridão em que vive, em partes sim, porque tem opção da escolha ao longo da vida. Mas não somos educados desde pequenos para um bem maior, ou uma busca maior. Somos seres em estado dormente, educados por seres em estado dormente. Vivemos de migalhas de Deus e nos contentamos com isso, em partes, porque a saída da situação de comodismo sempre é delicada, mas talvez e principalmente porque não percebemos o que há além de nosso conformismo.

Não há de se admirar que muitas pessoas ainda creditem o homo sapiens a um mero caso da evolução, na verdade é interessante, pois nós que fomos criados para algo maior somos os primeiros a negar este Algo maior.

Campos de pesquisa científica, incluíndo a física quântica, nos mostram o que nosso olhos não veem. E quando você se envolve em leituras nestes campos, você se fascina cada vez mais, porque este tipo de leitura por vezes choca as ideias pré-concebidas do nosso próprio Ego.  Ele, o ego, é o primeiro responsável pela nossa limitação humana. Ele deveria ser a evolução, o ápice de um ser primitivo, que após o aprendizado, pela fase de criança (primitivo) adquire conhecimento e sabedoria para um salto maior. No entanto, nós em nossa maioria, ainda estamos na fase primitiva, estagnamos na fase de crianças, movidos por sentimentos primordiais de ação e reação.

Vivemos a maior parte de nossos dias de acordo com as ordens básicas do nosso ID que se sustenta em um estado de apenas manutenção/sobrevivência, regulado e coordenado pelos 5 sentidos. Nosso ego permanece tal e qual àquela criança ou aquele homem primitivo que não evoluiu interiormente. Somos guiados na sociedade pelos impulsos ou 5 sentidos, que primeiramente nos guiam para o mundo físico ou o mundo da sobrevivência, principalmente sobrevivência social, onde importa primeiro "quem eu sou" ou "como posso ser lembrado ou notado"? A âncora do Ego é "quem eu sou no meio social" e nosso delírios de felicidade são comprados principalmente "pelo que eu posso ter".

Sim, o ter é importante, mas é o meio, não o propósito final. O trabalho dignifica o homem e alimenta sua família, mas por vezes colocamos o ter acima das relações humanas, que incluem amigos, familiares, pessoas da sociedade. Não é à toa que somos a sociedade do consumo. E quando o Ter se sobrepõe ao Ser (no sentido espiritual), temos um problema claro: minhas relações com o mundo priorizam o Eu e eu me fecho em torno do mundo que crio para me sustentar e, onde meu próximo, passa a ser meu inimigo ou concorrente direto. É o primeiro instinto de sobrevivência do Ego, a autoproteção. Somos felizes assim? Somos, enquanto não nos confrontamos com a verdade suprema, dessa ninguém escapa, pois ela é indelével e incorruptível. A sabedoria de Deus é loucura para os homens e a sabedoria dos homens é tola para Deus.

Resumidamente, somos "crianças tolas", como diria Cristo, levadas ao sabor do vento, julgando que nosso entendimento é o supra-sumo do conhecimento.
Somos o criado que nega o criador, justamente nós que deveríamos ser as testemunhas maiores. Os observadores conscientes da criação. O Ser capaz de co-criar.
É mais fácil, para o homem, se autoanalisar como produto da evolução biológica na linha do tempo, sem se questionar porque ele mesmo, é um "caso raro" no processo de evolução, ao possuir inteligência distinta. Ou então, é mais fácil creditar nossa existência a outras fontes (sem citá-las), sem mesmo perceber que o fato de delegar a responsabilidade de nossa existência a outros fatores, exceto Deus, não responde necessariamente a pergunta central que é justamente a maior: Qual a origem de todas as coisas? Terrenas e não terrenas? Visuais e quânticas?

Este assunto é amplo e há pessoas com inúmeras qualificações para esgotá-lo. Por hora, fica apenas a reflexão.

Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será acrescentado ( Mt 6 , 24-34 ) Este ensinamento de Jesus que nos é ...